terça-feira, 8 de dezembro de 2015

OS MISERÁVEIS PRIMEIRAS IMPRESSÕES (Victor Hugo)


           "Os miseráveis" é um clássico literário excelente e inquietante, porém, apesar de muito bem humorado, crítico e sarcástico é uma obra de difícil leitura. Aos menos a pessoas (como eu), acostumadas com obras da contemporaneidade que são de fácil compreensão.  Como o título acima é autoexplicativo, só quero reforçar que a leitura do livro ainda não foi concluída. 
             
             Contudo, existe uma necessidade de divisão de idéias aqui antes que partes da história se percam, como já foi dito é um desafio dos mais agradáveis, porém permeado de diversos contextos e fatos históricos para os quais é necessária uma compreensão maior da história da França, dos próprios franceses miseráveis em vários graus de miséria e disseminação do mal, e da mesquinharia próprias da raça humana. Não é possível falar aqui de forma imparcial da obra lida até agora, por que aquele que for cético verá pelo lado do ceticismo e da forma justa de cumprir a lei, aqueles que forem de inclinação emocional, principalmente aqueles, que tiveram uma formação espiritual em alguma religião e ainda possuidor de parte desses valores irá olhar com olhos de bondade e abnegação, em relação a expiação do mal outrora praticado afim de que se possa alcançar a libertação por meio da penitência.
           
             Como deve estar explícito a pessoa que vos fala, teve formação católica e até agora não conseguiu identificar nenhum sarcasmo no texto de Victor Hugo, quando este se refere a Deus. Sem querer aprofundar mais nos fatos do livro onde o autor fala das interferências divina na vida humana, que não são poucas. Vou tentar explicar aqui algumas partes relevantes. (CONTÉM SPOLIERS!!!!!) A história começa contando sobre um padre que não se sabe de onde veio e menos ainda se é padre de verdade, mais por ser sábio conseguiu ser agraciado por Napoleão Bonaparte que neste momento era nada menos que imperador da França. Assim,este padre foi sábio até o dia de sua morte, foi um ser que esfregava na face da humanidade a vergonha de sua miséria, sem nunca ter uma palavra de degradação ou injúria para ninguém. Esse mesmo padre chamado Monsenhor Bienvenu, fazia caridade aos pobres e partia sua própria renda com os pobres que eram muitos, como o é ainda hoje. E ficou conhecido por vários lugares por sua bondade e por respeitar o voto de pobreza. Acontece, que na vida desse mesmo padre aparece Jean ValJean,um antigo forçado das galés,crime: O roubo de um pão para matar a fome. Assim, aparece nosso primeiro miserável a ser nomeado na história, esse Jean Valjean foi condenado a vinte anos de trabalhos forçados por esse roubo inominável - um pão. 
               
              Porém, aqui ainda não há espaço para ternura ou boa vontade com para ele, ele era no melhor dos casos o pior tipo de monstro perverso e selvagem que se possa encontrar, as galés tiraram dele toda sua humanidade, ele não pensava mais. Ele não era mais um homem, apenas respondia por um número. Contudo, a providência o trouxe de volta. Essa providência se chamava Monsenhor Bienvenu. Não foi o melhor encontro, nem o mais amigável, porém, aquele ser humano horrível animalesco, retornou a sua humanidade pela angústia, pelo ódio e por fim pelo arrependimento. Pois, o Bispo, outrora padre,  que o recebeu em casa e deu-lhe de comer, de riqueza possuía apenas dois castiçais e alguns talheres de prata e os deu a Jean Valjean, que tencionava roubá-los. 

                E ele assim foi embora da casa do bispo.  Sete anos depois tinha adotado outro nome e vivia para a caridade à exemplo do Bispo de Digne (Monsenhor Bienvenu). Enquanto Jean Valjean, buscava a redenção, nos deparamos com Fantine a bela e inocente que se vê, sem emprego, grávida e sozinha, frente a uma vida sem perspectiva e esperança. Após o nascimento ela deixa a filha aos cuidados de um estalajeiro  e  sua esposa com a promessa de pagamento mensal em troca de que estes cuidassem de sua "Cosette". Fantine segue a pé para a sua cidade natal e lá consegue emprego na fábrica de um homem que logo virá a ser prefeito da cidadela. Porém, amesquinharia da alma humana faz com que Fantine perca o emprego e caia na prostituição.  Não antes de torna-se uma miserável pelas mãos da intolerância. As vidas de Jean Valjean e Fantine se cruzam e Cosette passa a ser para ele como gente de sua própria gente, este que tinha perdido tudo. 

              Na história também temos Javert, que é oficial de polícia, e por sua boa memória e julgamento ferrenho terá papel decisivo na vida de muitos miseráveis. A história de  Victor Hugo é abundante e permeada por temas dos mais diversos, o reinado de Napoleão, vários capítulos sobre a derrota de Waterloo sob a visão de um patriota, muito lúcido do seu papel. O panorama histórico da Europa que culminará num futuro próximo na Revolução Francesa. A pobreza ainda mais agravada, a crítica que o autor faz ao desperdício do dinheiro do império enquanto a França passa fome. É um livro terrível, pelas verdades que encerra. Porém, é também e sobre tudo o espelho da raça humana. 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

THE LORD OF THE RINGS

 
 The fellowship of the ring


            I read first book “The lord of the rings”, the first part the fellowship of the ring. This can be silly for millions of people, but for me is a victory! I didn’t like Lord of the rings when I was a teenager, I don’t know why, but I thought it was boring and slow. I tried reading this book for one or twice in my adolescence, but I can’t. And now, surprise, surprise! I loved the book!
               So I will speak about my first impressions. The book is very interesting and full of possible analogy. When I read the prologue Tolkien wrote that the book didn’t have no analogy, and was completely unpretentious, because this I told above which is possible find analogy, no it have analogy. I certainly find some analogies how: I think that elves are angels, and the middle Earth is ours planet and the earth beyond of sea is heaven. Things like that while reading made me think this about story.  
  
            Maybe Tolkien didn’t want this in his book, but is completely possible to reader thinks like that, and for me this idea is amazing. This book has a concept about racism, and prejudice. And how we can live with different people and different ways, that is can be possible and nice for us. We can see in this book that differences are considered normal and that were good to characters.
            Frodo wents to your journey with more three Hobbits, two men, one magician, one Elf and one dwarf, there is the biggest diversity here! So Tolkien told us how love ours brothers in the world and how live with them. I love the book, it brings a beautiful message of peace and love. I just finish the first book but now I know why people love it.
                   

     

terça-feira, 28 de abril de 2015

Então eu li, Dickens...

            

            Dickens foi um dos autores que eu tinha curiosidade de ler e compreender a obra por causa de uma das minhas escritoras preferidas a Anne Rice, ela mencionava Dickens em suas obras, eu lembro que enquanto eu lia A hora das Bruxas II  o “David Copperfield” foi citado como o livro preferido de uma de suas personagens, minha  curiosidade crescia a cada vez que eu ouvia esse nome.
           
           Em novembro de 2012 eu comprei o “Grandes Esperanças” , mas só este ano que eu comecei a lê-lo por que o primeiro contato não me estimulou e na época eu estava concentrada no meu trabalho de conclusão de curso. Levei entorno de três meses para conseguir acabar a leitura, o final era o que esperava, foi bom como todo clássico deve ser, mas eu não gostei da leitura de forma alguma.   Quando eu digo que foi bom é por que eu já suspeitava do final da história e creio que isso deve ter sido proposital, o desfecho foi excelente, mas para um livro de 639 páginas (e eu gosto de livros grandes!) eu achei que não teve nada de especial que me entretece na história, na verdade tive que reler várias vezes as mesmas páginas por que frequentemente me perdia (ou viajava para outra galáxia).
           
          Minha opinião é que apesar de eu gostar muito de história de desenvolvimento de cidades e de seus momentos históricos e essa história ter como panorama Londres eu não consegui me ater a esse pano de fundo. Achei absurda a existência da Srta. Havisham em termos fisiológicos e de higiene pessoal, apesar de ela ter um grande papel nas esperanças de Pip, setenta por cento da história não acrescentou nada de muito interessante para mim, no entanto eu entendi o perfil perfeito de burguesia da época abordada por Dickens. Mas como sempre, eu não sou nada além de um leitor para criticar a obra de Dickens, estou com os contos de natal aqui em casa para ter uma segunda opinião e antes de tudo culpo a mim pela minha insatisfação.

            
        Sempre acho que a obra deve encontrar o leitor ao longo da vida e talvez esse não tenha sido meu momento e eu preciso ter com Dickens em um momento de maior maturidade para entender melhor sua obra, digo isso por que eu gosto muito de clássicos e eu li o “Morro dos Ventos Uivantes” duas vezes e na primeira leitura não gostei e hoje eu amo a história. Eu me entristeci ao descobri que não gostei de Dickens e desejo melhor encontro ao próximo leitor de “Grandes Esperanças”, eu ainda quero ler “Retratos Londrinos” para curar essa ferida. Boa leitura! 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Insatisfação de um Leitor

          Sinceramente estou superchateada com as últimas biografias que li, os autores dão "spoliers all the time", só por que você está lendo uma biografia não quer dizer que você já leu toda a obra daquele autor ... e acabei de ler uma resenha que estraga boa parte da graça do mais novo livro do Stephen King lançado no Brasil. 
        
              Informação é uma coisa, estragar a experiência dos outros é completamente diferente. Se é sabido que o Autor é de terror, qual a inovação de dizer o óbvio sobre a obra, que alguém morre? E especificar quem morreu, acho um pouco demais.O que eu quero dizer é que as pessoas estão confundindo o que é ou não spolier, por que parece que a necessidade de tornar uma publicação atrativa is too big que perdem a noção e entregam na mão do leitor parte importante da história, esquecendo a graças do suspense. Se é um livro de contos como nesse caso o primeiro já se perdeu por que deram um big spolier desnecessário!

            Todo leitor de Stephen King sabe que as histórias deles são histórias do gênero terror, ok? Então meu Deus, pra quê contar que o personagem morre se o livro não é suspense e você não vai precisar descobrir o assassino? Qual história de terror ia acabar sem nenhuma morte, isso é óbvio demais. Sem falar na porção de livros que vem com um resumo desestimulante por que contam o crucial resumindo tudo que você leria dentro de um livro de 300 páginas!

             Pessoalmente estou gostando mais, quando vou a uma livraria e pego aqueles livros que a pessoa que fez o resumo não tá nem aí, nem leu a história, escreve algo que não tem nada a ver com a história do livro e você acaba tendo uma grande surpresa... pelo menos não tem spoiler. Posso ser, mas acho que não sou a única pessoa que não compra um livro pela capa e nem sem me informar sobre a história. Pra mim, pelo menos, é necessário ler sobre o que o livro trata e só depois comparar preços e tudo mais. 

             Eu sinceramente não me importo de ver séries e filmes cada dia mais fiéis aos livros, mas isso é uma opção individual. Mas qual a graça do spoiler? Onde está o elemento surpresa da história de um livro se alguém resenhar o final? Acho falta de respeito para com o leitor. É mais fácil publicar livros sem resumo e cheios de recomendações do The New York Times do que com resumos que empobrecem a história e desrespeitam o leitor.

               

terça-feira, 14 de abril de 2015

Sobre a Escrita (On Writing)

                                                                                                              Stephen King
       



       É um livro fabuloso. Stephen King é um ótimo amigo, nunca me senti tão perto de um autor antes de ler “Sobre a Escrita”. É um manual para todo escritor iniciante e para todo aspirante a escritor.
           
      Sobre a Escrita conta muito da vida do próprio autor, e enquanto se assisti o desenrolar da narrativa de boa parte de uma vida verdadeira, da pra se esbaldar em conhecimento e dicas de como montar seu próprio conto ou livro. É uma lição de como devemos aprender a gostar da gramática, tomar cuidado com os advérbios e aprender a permear a história sem precisar dizer ao leitor diretamente o que se quer dizer com o texto.
           
         Stephen King abre as portas da sua casa e da sua alma de escritor para, se dedicar ao trabalho de ensinar-nos a seguir o seu ofício, o livro é antes de tudo a maneira mais engraçada de se aprender. É um livro curtinho mais de grande potencial nas mãos de quem souber seguir a risca pelo menos por um tempo os conselhos dele.
          
        Sempre achei que dava pra encontrar muito do Stephen King nas suas obras, mas depois de ler “Sobre a Escrita”, tive a certeza. O livro tem muito a dizer sobre quem somos e o que podemos fazer com isso. Um princípio que eu consegui captar ou talvez até seja o mais importante: a honestidade. Ele frisa a necessidade de você ser verdadeiro consigo mesmo e manter a verdade custe o que custar.

         O que eu posso dizer por fim é que, Stephen King era pra mim quase material, visível ali no sofá de minha sala, este livro foi muito agradável de ser lido, era como se ele estivesse sentado ao meu lado me dizendo isso tudo. Espirituoso e divertido, informativo e severo na medida certa. Boa leitura!        

quinta-feira, 19 de março de 2015

O cemitério (Pet Sematary)



            Fico me perguntando o porquê dos autores de livros considerados, terror, horror e ocultismos ter esse hábito de usar trechos da bíblia ou paráfrases da mesma para introduzirem seus capítulos.
            Eu sei que muitos usam isso como intertextualidade com sua obra. Mas em um dado momento da leitura de Stephen King me perguntei, será que as obras elaboradas por esses autores com conteúdos tão perversos a ponto de instigar calafrios ao leitor não causam um horror de proporções maiores aos donos da obra? O que me ocorreu absurdamente é que essa mania ou costume por assim dizer de colocar trechos da bíblia em suas obras não se tornaram de certa forma um amuleto? Digo, para encerrar naquelas páginas o horror contido nelas? Ou zombar de Deus? Ou ainda tentar equiparar a bíblia às outras obras literárias, pelo caráter que ela possui de entreter a imaginação e revelar o maravilhoso tão enfatizado pelos autores ao tratarem do fantástico?            Não quero fazer apologias as religiões, nem agora nem nunca até por que fazendo isso eu me renderia a alienação de aceitar que tudo o que se lê influencia de uma forma ou de outra o mundo e as mentes. Não acredito nisso. Antes acredito que, sim podemos extrair coisas interessantes e produtivas de tudo ao nosso redor.  Da mesma forma que se eu não concordo com um programa de Tv eu simplesmente não o assisto.             Isso me fez conspirar sobre as atitudes dos autores desses gêneros. É engraçado, ver isso. Eu acho intrigante e interessante. Se eu pudesse perguntaria isso para Anne Rice ou para o Stephen King, eles ririam de mim possivelmente mas, essa é uma dúvida absurda mas ainda assim é uma dúvida.            O cemitério é um grande livro aos meus olhos, ele torna tudo no ambiente da história sombrio. Ele tem muitas antecipações que fazem o leitor enlouquecer para avançar na história, é filosófico ouso dizer e contemplativo, nunca li uma narrativa com tanta profundidade sobre a morte. Não é apenas um livro de terror é ainda um tratado sobre a febre humana do sofrimento, a perda da razão ante a perda da inocência, a consciência da inevitabilidade da morte e a impotência diante dela.             Esse livro fala de amor, família e valores. Mas fala também de impotência e tristeza, salpicada da inquietude causada pelo gato da família. Tudo toma um rumo aterrador depois do gato. Louis a personagem principal parece ver no gato o inevitável estarrecedor desfecho de sua história de vida. O gato antecipa e prepara o pano de fundo para o final. E eu não pude deixar de pensar no “Gato preto” do Poe, apesar da perspectiva diferente.  Narrativa que eu não consegui largar. Boa história para esse ano de 2015, incrível e emocionante. Recomendo muito, boa leitura e vários calafrios!  

sexta-feira, 6 de março de 2015

Am I a fool, talking about the moon?

            I love all about the moon. I don’t know why but, always that I hear something about the moon I simply fall in love.
            From that I read a poem from Baudelaire called “The favors of the moon” I really felt miss something that let me sad. I know it is so confusing although always I listen songs or read poems about the moon I feel well and sad in the same time. But is good it is a romantic sadness.

            Now I just listen a song called “Talking to the moon” from Bruno Mars, is absolutely terrific! I want cry at the moment, serious, it is a beautiful song. A sad beautiful song. I liked it so much. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A situação da mulher na Inglaterra vitoriana e regenciana

A situação da mulher na Inglaterra vitoriana e regenciana

            Como é possível ver nos filmes e nos livros (meus queridos da vida!), a situação  feminina na época vitoriana foi bastante difícil. E para exemplificar peguei alguns romances, ou melhor alguns personagens.
            Temos Jane Eyre personagem que também dá nome ao livro vitoriano, que era órfão não possuía fortuna alguma, e era uma mulher de valores próprios que persistia em viver de seus próprios ganhos em uma época em que mulheres solteiras viviam em busca de um bom casamento que lhes proporciona- se sobreviver. Era natural à época que as mulheres, independente da fortuna da família, deviam receber um dote ao se casarem passado ao marido, que sempre era contado em libras ao ano pelos ingleses, em poucas palavras as mulheres eram o que valiam.  
            Assim, temos Elizabeth Bennet e Jane Bennet, personagens do livro Orgulho e Preconceito que quase são privadas de “um bom casamento” por causa das imprudências da mãe. Lizze (Elizabeth Bennet), aqui é a protagonista da história, que tem como Jane Eyre personalidade forte, e seu comportamento no livro é crítico e orgulhoso para com a sociedade e seus costumes que tendem a obrigar as moças a se casarem por dinheiro e não amor.
            No decorrer da história, um dos personagens representa a sociedade e os preconceitos para com a idade ideal para uma jovem se casar, e ela se casa por conveniência para sair da casa dos pais. As mulheres eram oprimidas, e viviam a mercê de bons casamentos e a conveniência de poder assegurar teto e alimento para aquelas da família que não possuíam a mesma sorte.
            Mulheres não possuíam herança, o dinheiro era passado ao parente mais próximo da família caso não possuíssem irmãos que herdassem a herança, na falta do pai caso estas não firmassem casamento prévio. Eu particularmente gosto desse gênero de romance e é uma boa fonte de leitura para entender melhor a história do mundo. Por que esses livros estão repletos de usos e costumes de época, características literárias que definem as obras de acordo como o momento histórico (para aqueles que gostam de estudar literatura), através deles pode-se conhecer o autor e sua época.
            Literatura é tudo de bom, é um mapa mundi de entretenimento e expansão de universo. Um exemplo disso é Jane Austen, ela descreve a Inglaterra de sua época seus livros são ambientados em lugares em que ela lá visitou, conheceu e participou de bailes. Ler é uma imersão na história de uma forma mais divertida.       

            

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Conto I

            Sempre pensei que morrer seria exatamente assim. Mas não posso dizer o mesmo daquele homem que presenciou tudo do meio da rua. Ele estava perplexo. Para mim foi uma transição até “suave” se é possível descrever assim. É como atravessar a rua e chegar ao outro lado. E foi bem isso mesmo que aconteceu...
            É um tanto estranho falar, mas no dia 7 de julho eu simplesmente vivia um dia inacreditável, sorte era pouco. Tudo estava perfeito eu tinha trabalhado muito, e a publicação do meu livro tinha sido um sucesso. Tudo tinha ocorrido como o esperado era um livro de ficção sobre o Egito antigo e tudo que eu mais queria era poder estar diante dos leitores naquela tarde de autógrafos, enfim para um primeiro livro não foi nada mal, aliás tinha excedido em muito minhas expectativa.
            Então, ao final da tarde de autógrafos eu saí como sempre fazia da minha livraria predileta e fui caminhando até a estação, mas à aquela tarde era especial como se eu tivesse subido um degrau desconhecido e saído da posição de leitora e passado a escritora, era tudo e era perfeito.
            Ao chegar à minha estação de destino subi o quarteirão pôs não possuía carro e me encaminhei para avenida que deveria atravessar para chegar a minha casa, distraidamente atravessei a rua sem verificar se haviam carros na via. Atravessei como de costume e uma brisa leve agitou os meus cabelos. Neste momento escutei um som arfante e levantei meus olhos que estavam baixos ocupados com o chão a minha frente.  Deparei-me com olhos escuros e uma tez pálida que olhava além de mim para o asfalto as minhas costas. Subitamente as coisas ficaram claras e eu me forcei a olhar para traz e todo o som do mundo voltou aos meus ouvidos.

            Pessoas gritavam e corriam numa cacofonia sem fim, o homem ainda à minha frente expressava tristeza e uma lágrima saltou de seus negros olhos e escorreu pela face. Ele agora me olhava e um breve brilho de reconhecimento passou por sua face. Mas isso não passou de um momento. Ele balançou a cabeça aos fechar os olhos e atravessou-me, digo isso por que a perplexidade foi minha, de repente quem se entristeceu fui eu: olhei para traz, estava caída e este homem sobre meu copo inerte. Ele. Era meu amor.
Escrever não é Ser

            Cheguei a conclusão de que não somos o que escrevemos. Escrever é sim uma parte de nossa alma, talvez a mais profunda mas não exatamente nós. Por que somos os seres que andam, convivem, falam e nem sempre medem os seus atos ou se quer pensam neles.
            Então, escrever não é um ato de existir, é apenas mais uma forma de pensar, e organizar idéias. Por exemplo, quando nos apresentamos em público, nem sempre conseguimos nos ater ao cronograma e muitas vezes diversificamos e acrescentamos e tiramos partes e muitas vezes esquecemos outras.
            Ao escrever, um poema, um texto ou uma música o artista deixa transparecer um estilo, algo único, não uma personalidade fiel à pessoa que ele é, como individuo. Mesmo sendo uma produção de teor pessoal, não somos fiéis a nós mesmo por que, não nos conhecemos a fundo, nunca testamos nossos maiores medos, até porque não sabemos quais são eles verdadeiramente. 
            Pensar é um ato filosófico e intrinsecamente complicado, e pode tirar o melhor e o pior de quem escreve. Somos inconstantes e até inconscientes, ser e pensar são diversidades de um ser. Escrever é um ato pensado, calculado, para adular, produzir fantasia na alma de que lê, ludibriar e comover. Se não sabemos quem somos, estamos criando mentiras nas quais acreditamos. Somos inocentes, queremos viver as palavras de amor que escrevemos e queremos acreditar naquilo que desejamos ser.
            Mas, somos o que somos isso é o que há. Seres incompreendidos por nós mesmo, na nossa mania de consciência, que nem sabemos o que é. Mas escrever não é apenas enganar a nós mesmo, é também descobrir que nossa alma é feita de representações das nossas idealizações, muitos de nós ao revisar perfis nem se quer acreditam que escreveram tais coisas sobre si mesmo, ou seja, mudamos de hábitos e gostos e comportamentos o tempo todo,  a prova disso é a escrita. E por isso mesmo, não somos o que escrevemos, somos o que vivemos, somos as pessoas nos relacionamentos, interpessoais, amorosos e de trabalho. Somos falhos, buscamos a perfeição nos outros, cometemos erros atrozes e apontamos esses mesmo erros horrorizados ao vê-los serem cometido por outros.
            Não somos perfeitos, estamos longe disso e as vezes esquecemos que somos frágeis, falíveis e mortais. Por isso, não devemos passar a eternidade nos “eternizando” em redes sociais e fotos vazias, por que o momento de viver é o agora e passamos horas a contemplar a vida pelas janelas virtuais. Devemos, sim escrever, mas também ler, ouvir, enriquecer a alma e partilhar conhecimento e manter sempre que possível contato físico e dar calor humano, olhar nos olhos ao em vez de esbarrar nas pessoas enquanto perdemos nossas vidas no vício da contemplação.