Escrever
não é Ser
Cheguei a conclusão de que não somos o que escrevemos.
Escrever é sim uma parte de nossa alma, talvez a mais profunda mas não
exatamente nós. Por que somos os seres que andam, convivem, falam e nem sempre
medem os seus atos ou se quer pensam neles.
Então, escrever não é um ato de existir, é apenas mais
uma forma de pensar, e organizar idéias. Por exemplo, quando nos apresentamos
em público, nem sempre conseguimos nos ater ao cronograma e muitas vezes
diversificamos e acrescentamos e tiramos partes e muitas vezes esquecemos
outras.
Ao escrever, um poema, um texto ou uma música o artista
deixa transparecer um estilo, algo único, não uma personalidade fiel à pessoa
que ele é, como individuo. Mesmo sendo uma produção de teor pessoal, não somos
fiéis a nós mesmo por que, não nos conhecemos a fundo, nunca testamos nossos
maiores medos, até porque não sabemos quais são eles verdadeiramente.
Pensar é um ato filosófico e intrinsecamente complicado,
e pode tirar o melhor e o pior de quem escreve. Somos inconstantes e até
inconscientes, ser e pensar são diversidades de um ser. Escrever é um ato
pensado, calculado, para adular, produzir fantasia na alma de que lê, ludibriar
e comover. Se não sabemos quem somos, estamos criando mentiras nas quais
acreditamos. Somos inocentes, queremos viver as palavras de amor que escrevemos
e queremos acreditar naquilo que desejamos ser.
Mas, somos o que somos isso é o que há. Seres
incompreendidos por nós mesmo, na nossa mania de consciência, que nem sabemos o
que é. Mas escrever não é apenas enganar a nós mesmo, é também descobrir que
nossa alma é feita de representações das nossas idealizações, muitos de nós ao
revisar perfis nem se quer acreditam que escreveram tais coisas sobre si mesmo,
ou seja, mudamos de hábitos e gostos e comportamentos o tempo todo, a prova disso é a escrita. E por isso mesmo, não somos o que escrevemos, somos o que
vivemos, somos as pessoas nos relacionamentos, interpessoais, amorosos e de
trabalho. Somos falhos, buscamos a perfeição nos outros, cometemos erros
atrozes e apontamos esses mesmo erros horrorizados ao vê-los serem cometido por
outros.
Não somos perfeitos, estamos longe disso e as vezes
esquecemos que somos frágeis, falíveis e mortais. Por isso, não devemos passar
a eternidade nos “eternizando” em redes sociais e fotos vazias, por que o
momento de viver é o agora e passamos horas a contemplar a vida pelas janelas virtuais.
Devemos, sim escrever, mas também ler, ouvir, enriquecer a alma e partilhar
conhecimento e manter sempre que possível contato físico e dar calor humano,
olhar nos olhos ao em vez de esbarrar nas pessoas enquanto perdemos nossas
vidas no vício da contemplação.
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