segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Escrever não é Ser

            Cheguei a conclusão de que não somos o que escrevemos. Escrever é sim uma parte de nossa alma, talvez a mais profunda mas não exatamente nós. Por que somos os seres que andam, convivem, falam e nem sempre medem os seus atos ou se quer pensam neles.
            Então, escrever não é um ato de existir, é apenas mais uma forma de pensar, e organizar idéias. Por exemplo, quando nos apresentamos em público, nem sempre conseguimos nos ater ao cronograma e muitas vezes diversificamos e acrescentamos e tiramos partes e muitas vezes esquecemos outras.
            Ao escrever, um poema, um texto ou uma música o artista deixa transparecer um estilo, algo único, não uma personalidade fiel à pessoa que ele é, como individuo. Mesmo sendo uma produção de teor pessoal, não somos fiéis a nós mesmo por que, não nos conhecemos a fundo, nunca testamos nossos maiores medos, até porque não sabemos quais são eles verdadeiramente. 
            Pensar é um ato filosófico e intrinsecamente complicado, e pode tirar o melhor e o pior de quem escreve. Somos inconstantes e até inconscientes, ser e pensar são diversidades de um ser. Escrever é um ato pensado, calculado, para adular, produzir fantasia na alma de que lê, ludibriar e comover. Se não sabemos quem somos, estamos criando mentiras nas quais acreditamos. Somos inocentes, queremos viver as palavras de amor que escrevemos e queremos acreditar naquilo que desejamos ser.
            Mas, somos o que somos isso é o que há. Seres incompreendidos por nós mesmo, na nossa mania de consciência, que nem sabemos o que é. Mas escrever não é apenas enganar a nós mesmo, é também descobrir que nossa alma é feita de representações das nossas idealizações, muitos de nós ao revisar perfis nem se quer acreditam que escreveram tais coisas sobre si mesmo, ou seja, mudamos de hábitos e gostos e comportamentos o tempo todo,  a prova disso é a escrita. E por isso mesmo, não somos o que escrevemos, somos o que vivemos, somos as pessoas nos relacionamentos, interpessoais, amorosos e de trabalho. Somos falhos, buscamos a perfeição nos outros, cometemos erros atrozes e apontamos esses mesmo erros horrorizados ao vê-los serem cometido por outros.
            Não somos perfeitos, estamos longe disso e as vezes esquecemos que somos frágeis, falíveis e mortais. Por isso, não devemos passar a eternidade nos “eternizando” em redes sociais e fotos vazias, por que o momento de viver é o agora e passamos horas a contemplar a vida pelas janelas virtuais. Devemos, sim escrever, mas também ler, ouvir, enriquecer a alma e partilhar conhecimento e manter sempre que possível contato físico e dar calor humano, olhar nos olhos ao em vez de esbarrar nas pessoas enquanto perdemos nossas vidas no vício da contemplação.








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