quinta-feira, 19 de março de 2015

O cemitério (Pet Sematary)



            Fico me perguntando o porquê dos autores de livros considerados, terror, horror e ocultismos ter esse hábito de usar trechos da bíblia ou paráfrases da mesma para introduzirem seus capítulos.
            Eu sei que muitos usam isso como intertextualidade com sua obra. Mas em um dado momento da leitura de Stephen King me perguntei, será que as obras elaboradas por esses autores com conteúdos tão perversos a ponto de instigar calafrios ao leitor não causam um horror de proporções maiores aos donos da obra? O que me ocorreu absurdamente é que essa mania ou costume por assim dizer de colocar trechos da bíblia em suas obras não se tornaram de certa forma um amuleto? Digo, para encerrar naquelas páginas o horror contido nelas? Ou zombar de Deus? Ou ainda tentar equiparar a bíblia às outras obras literárias, pelo caráter que ela possui de entreter a imaginação e revelar o maravilhoso tão enfatizado pelos autores ao tratarem do fantástico?            Não quero fazer apologias as religiões, nem agora nem nunca até por que fazendo isso eu me renderia a alienação de aceitar que tudo o que se lê influencia de uma forma ou de outra o mundo e as mentes. Não acredito nisso. Antes acredito que, sim podemos extrair coisas interessantes e produtivas de tudo ao nosso redor.  Da mesma forma que se eu não concordo com um programa de Tv eu simplesmente não o assisto.             Isso me fez conspirar sobre as atitudes dos autores desses gêneros. É engraçado, ver isso. Eu acho intrigante e interessante. Se eu pudesse perguntaria isso para Anne Rice ou para o Stephen King, eles ririam de mim possivelmente mas, essa é uma dúvida absurda mas ainda assim é uma dúvida.            O cemitério é um grande livro aos meus olhos, ele torna tudo no ambiente da história sombrio. Ele tem muitas antecipações que fazem o leitor enlouquecer para avançar na história, é filosófico ouso dizer e contemplativo, nunca li uma narrativa com tanta profundidade sobre a morte. Não é apenas um livro de terror é ainda um tratado sobre a febre humana do sofrimento, a perda da razão ante a perda da inocência, a consciência da inevitabilidade da morte e a impotência diante dela.             Esse livro fala de amor, família e valores. Mas fala também de impotência e tristeza, salpicada da inquietude causada pelo gato da família. Tudo toma um rumo aterrador depois do gato. Louis a personagem principal parece ver no gato o inevitável estarrecedor desfecho de sua história de vida. O gato antecipa e prepara o pano de fundo para o final. E eu não pude deixar de pensar no “Gato preto” do Poe, apesar da perspectiva diferente.  Narrativa que eu não consegui largar. Boa história para esse ano de 2015, incrível e emocionante. Recomendo muito, boa leitura e vários calafrios!  

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