Conto
I
Sempre pensei que morrer seria exatamente assim. Mas não
posso dizer o mesmo daquele homem que presenciou tudo do meio da rua. Ele
estava perplexo. Para mim foi uma transição até “suave” se é possível descrever
assim. É como atravessar a rua e chegar ao outro lado. E foi bem isso mesmo que
aconteceu...
É um tanto estranho falar, mas no dia 7 de julho eu
simplesmente vivia um dia inacreditável, sorte era pouco. Tudo estava perfeito
eu tinha trabalhado muito, e a publicação do meu livro tinha sido um sucesso.
Tudo tinha ocorrido como o esperado era um livro de ficção sobre o Egito antigo
e tudo que eu mais queria era poder estar diante dos leitores naquela tarde de
autógrafos, enfim para um primeiro livro não foi nada mal, aliás tinha excedido
em muito minhas expectativa.
Então, ao final da tarde de autógrafos eu saí como sempre
fazia da minha livraria predileta e fui caminhando até a estação, mas à aquela
tarde era especial como se eu tivesse subido um degrau desconhecido e saído da
posição de leitora e passado a escritora, era tudo e era perfeito.
Ao chegar à minha estação de destino subi o quarteirão
pôs não possuía carro e me encaminhei para avenida que deveria atravessar para
chegar a minha casa, distraidamente atravessei a rua sem verificar se haviam
carros na via. Atravessei como de costume e uma brisa leve agitou os meus
cabelos. Neste momento escutei um som arfante e levantei meus olhos que estavam
baixos ocupados com o chão a minha frente.
Deparei-me com olhos escuros e uma tez pálida que olhava além de mim
para o asfalto as minhas costas. Subitamente as coisas ficaram claras e eu me
forcei a olhar para traz e todo o som do mundo voltou aos meus ouvidos.
Pessoas gritavam e corriam numa cacofonia sem fim, o
homem ainda à minha frente expressava tristeza e uma lágrima saltou de seus
negros olhos e escorreu pela face. Ele agora me olhava e um breve brilho de
reconhecimento passou por sua face. Mas isso não passou de um momento. Ele
balançou a cabeça aos fechar os olhos e atravessou-me, digo isso por que a
perplexidade foi minha, de repente quem se entristeceu fui eu: olhei para traz,
estava caída e este homem sobre meu copo inerte. Ele. Era meu amor.
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