terça-feira, 28 de abril de 2015

Então eu li, Dickens...

            

            Dickens foi um dos autores que eu tinha curiosidade de ler e compreender a obra por causa de uma das minhas escritoras preferidas a Anne Rice, ela mencionava Dickens em suas obras, eu lembro que enquanto eu lia A hora das Bruxas II  o “David Copperfield” foi citado como o livro preferido de uma de suas personagens, minha  curiosidade crescia a cada vez que eu ouvia esse nome.
           
           Em novembro de 2012 eu comprei o “Grandes Esperanças” , mas só este ano que eu comecei a lê-lo por que o primeiro contato não me estimulou e na época eu estava concentrada no meu trabalho de conclusão de curso. Levei entorno de três meses para conseguir acabar a leitura, o final era o que esperava, foi bom como todo clássico deve ser, mas eu não gostei da leitura de forma alguma.   Quando eu digo que foi bom é por que eu já suspeitava do final da história e creio que isso deve ter sido proposital, o desfecho foi excelente, mas para um livro de 639 páginas (e eu gosto de livros grandes!) eu achei que não teve nada de especial que me entretece na história, na verdade tive que reler várias vezes as mesmas páginas por que frequentemente me perdia (ou viajava para outra galáxia).
           
          Minha opinião é que apesar de eu gostar muito de história de desenvolvimento de cidades e de seus momentos históricos e essa história ter como panorama Londres eu não consegui me ater a esse pano de fundo. Achei absurda a existência da Srta. Havisham em termos fisiológicos e de higiene pessoal, apesar de ela ter um grande papel nas esperanças de Pip, setenta por cento da história não acrescentou nada de muito interessante para mim, no entanto eu entendi o perfil perfeito de burguesia da época abordada por Dickens. Mas como sempre, eu não sou nada além de um leitor para criticar a obra de Dickens, estou com os contos de natal aqui em casa para ter uma segunda opinião e antes de tudo culpo a mim pela minha insatisfação.

            
        Sempre acho que a obra deve encontrar o leitor ao longo da vida e talvez esse não tenha sido meu momento e eu preciso ter com Dickens em um momento de maior maturidade para entender melhor sua obra, digo isso por que eu gosto muito de clássicos e eu li o “Morro dos Ventos Uivantes” duas vezes e na primeira leitura não gostei e hoje eu amo a história. Eu me entristeci ao descobri que não gostei de Dickens e desejo melhor encontro ao próximo leitor de “Grandes Esperanças”, eu ainda quero ler “Retratos Londrinos” para curar essa ferida. Boa leitura! 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Insatisfação de um Leitor

          Sinceramente estou superchateada com as últimas biografias que li, os autores dão "spoliers all the time", só por que você está lendo uma biografia não quer dizer que você já leu toda a obra daquele autor ... e acabei de ler uma resenha que estraga boa parte da graça do mais novo livro do Stephen King lançado no Brasil. 
        
              Informação é uma coisa, estragar a experiência dos outros é completamente diferente. Se é sabido que o Autor é de terror, qual a inovação de dizer o óbvio sobre a obra, que alguém morre? E especificar quem morreu, acho um pouco demais.O que eu quero dizer é que as pessoas estão confundindo o que é ou não spolier, por que parece que a necessidade de tornar uma publicação atrativa is too big que perdem a noção e entregam na mão do leitor parte importante da história, esquecendo a graças do suspense. Se é um livro de contos como nesse caso o primeiro já se perdeu por que deram um big spolier desnecessário!

            Todo leitor de Stephen King sabe que as histórias deles são histórias do gênero terror, ok? Então meu Deus, pra quê contar que o personagem morre se o livro não é suspense e você não vai precisar descobrir o assassino? Qual história de terror ia acabar sem nenhuma morte, isso é óbvio demais. Sem falar na porção de livros que vem com um resumo desestimulante por que contam o crucial resumindo tudo que você leria dentro de um livro de 300 páginas!

             Pessoalmente estou gostando mais, quando vou a uma livraria e pego aqueles livros que a pessoa que fez o resumo não tá nem aí, nem leu a história, escreve algo que não tem nada a ver com a história do livro e você acaba tendo uma grande surpresa... pelo menos não tem spoiler. Posso ser, mas acho que não sou a única pessoa que não compra um livro pela capa e nem sem me informar sobre a história. Pra mim, pelo menos, é necessário ler sobre o que o livro trata e só depois comparar preços e tudo mais. 

             Eu sinceramente não me importo de ver séries e filmes cada dia mais fiéis aos livros, mas isso é uma opção individual. Mas qual a graça do spoiler? Onde está o elemento surpresa da história de um livro se alguém resenhar o final? Acho falta de respeito para com o leitor. É mais fácil publicar livros sem resumo e cheios de recomendações do The New York Times do que com resumos que empobrecem a história e desrespeitam o leitor.

               

terça-feira, 14 de abril de 2015

Sobre a Escrita (On Writing)

                                                                                                              Stephen King
       



       É um livro fabuloso. Stephen King é um ótimo amigo, nunca me senti tão perto de um autor antes de ler “Sobre a Escrita”. É um manual para todo escritor iniciante e para todo aspirante a escritor.
           
      Sobre a Escrita conta muito da vida do próprio autor, e enquanto se assisti o desenrolar da narrativa de boa parte de uma vida verdadeira, da pra se esbaldar em conhecimento e dicas de como montar seu próprio conto ou livro. É uma lição de como devemos aprender a gostar da gramática, tomar cuidado com os advérbios e aprender a permear a história sem precisar dizer ao leitor diretamente o que se quer dizer com o texto.
           
         Stephen King abre as portas da sua casa e da sua alma de escritor para, se dedicar ao trabalho de ensinar-nos a seguir o seu ofício, o livro é antes de tudo a maneira mais engraçada de se aprender. É um livro curtinho mais de grande potencial nas mãos de quem souber seguir a risca pelo menos por um tempo os conselhos dele.
          
        Sempre achei que dava pra encontrar muito do Stephen King nas suas obras, mas depois de ler “Sobre a Escrita”, tive a certeza. O livro tem muito a dizer sobre quem somos e o que podemos fazer com isso. Um princípio que eu consegui captar ou talvez até seja o mais importante: a honestidade. Ele frisa a necessidade de você ser verdadeiro consigo mesmo e manter a verdade custe o que custar.

         O que eu posso dizer por fim é que, Stephen King era pra mim quase material, visível ali no sofá de minha sala, este livro foi muito agradável de ser lido, era como se ele estivesse sentado ao meu lado me dizendo isso tudo. Espirituoso e divertido, informativo e severo na medida certa. Boa leitura!