Fico me perguntando o porquê dos autores de livros
considerados, terror, horror e ocultismos ter esse hábito de usar trechos da
bíblia ou paráfrases da mesma para introduzirem seus capítulos.
Eu sei que muitos usam isso como intertextualidade com
sua obra. Mas em um dado momento da leitura de Stephen King me perguntei, será que as obras elaboradas por esses
autores com conteúdos tão perversos a ponto de instigar calafrios ao leitor não
causam um horror de proporções maiores aos donos da obra? O que me ocorreu
absurdamente é que essa mania ou costume por assim dizer de colocar trechos da
bíblia em suas obras não se tornaram de certa forma um amuleto? Digo, para
encerrar naquelas páginas o horror contido
nelas? Ou zombar de Deus? Ou ainda
tentar equiparar a bíblia às outras obras literárias, pelo caráter que ela
possui de entreter a imaginação e revelar o maravilhoso tão enfatizado pelos
autores ao tratarem do fantástico? Não quero fazer apologias as religiões, nem agora nem
nunca até por que fazendo isso eu me renderia a alienação de aceitar que tudo o
que se lê influencia de uma forma ou de outra o mundo e as mentes. Não acredito
nisso. Antes acredito que, sim podemos extrair coisas interessantes e
produtivas de tudo ao nosso redor. Da
mesma forma que se eu não concordo com um programa de Tv eu simplesmente não o
assisto. Isso me fez
conspirar sobre as atitudes dos autores desses gêneros. É engraçado, ver isso.
Eu acho intrigante e interessante. Se eu pudesse perguntaria isso para Anne
Rice ou para o Stephen King, eles ririam de mim possivelmente mas, essa é uma
dúvida absurda mas ainda assim é uma dúvida. O cemitério é um grande livro aos meus olhos, ele torna
tudo no ambiente da história sombrio. Ele tem muitas antecipações que fazem o
leitor enlouquecer para avançar na história, é filosófico ouso dizer e
contemplativo, nunca li uma narrativa com tanta profundidade sobre a morte. Não
é apenas um livro de terror é ainda um tratado sobre a febre humana do
sofrimento, a perda da razão ante a perda da inocência, a consciência da
inevitabilidade da morte e a impotência diante dela. Esse livro fala de amor, família e valores. Mas fala
também de impotência e tristeza, salpicada da inquietude causada pelo gato da
família. Tudo toma um rumo aterrador depois do gato. Louis a personagem
principal parece ver no gato o inevitável estarrecedor desfecho de sua história
de vida. O gato antecipa e prepara o pano de fundo para o final. E eu não pude
deixar de pensar no “Gato preto” do Poe, apesar da perspectiva diferente. Narrativa que eu não consegui largar. Boa
história para esse ano de 2015, incrível e emocionante. Recomendo muito, boa
leitura e vários calafrios!